Você sabe quem batizou o movimento com esse nome? E por qual motivo?
No dia 22 de agosto de 1965, estreava na TV Record o programa Jovem Guarda. Apresentado nas tardes de domingo pelo trio Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, o projeto foi um sucesso avassalador, numa época em que a TV aberta tinha o poder de mobilizar multidões.
O programa destinava-se à juventude considerada “alienada”, interessada em música pop – inspirada pelo rock americano -, moda, carros e ingênuos romances – um contraponto aos jovens engajados politicamente, que em plena ditadura militar envolviam-se com movimentos subversivos e, posteriormente, com a luta armada.
Nas edições do Jovem Guarda, diversos artistas se apresentavam. Além do trio de apresentadores, passaram pelo palco do Teatro Record – na Avenida Consolação, onde depois existiu o Teatro Fábrica e o Teatro ECUM, mais recentemente – gente como Golden Boys, Os Vips, Martinha, Jerry Adriani e até Tim Maia em início de carreira.
O alcance do programa era impressionante para a época: conseguia ter uma audiência de 3 milhões de telespectadores em São Paulo, e era transmitido em videotape em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife – provocando assim um fenômeno de massa invejável.

O nome “Jovem Guarda” foi inspirado em uma frase do lider sovietico Vladimir Lenin: “O FUTURO PERTENCE Á JOVEM GUARDA PORQUE A VELHA ESTÁ ULTRAPASSADA”. Essa frase, adaptada por Carlito Maia, um dos idealizadores do programa, foi adotada para o programa de auditório da TV Record que marcou o movimento musical e cultural no Brasil.
Além da frase de Lenin, o movimento também foi influenciado pela sonoridade do rock inglês, especialmente os Beatles, e ficou conhecido como “iê-iê-iê” em referência ao refrão da música “She Loves You”. A Jovem Guarda, portanto, representa um marco na história da música e da cultura brasileira, com seu nome e estilo marcando uma geração.
Da redação

